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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Origem da Festa D'Ajuda tem marcas no século XIX



Capela D'Ajuda. Foto: Lorena Morais

A Igreja de Nossa Senhora D’Ajuda é a primeira igreja construída em Cachoeira. Pertencia à família que fundou o município, os Adornos, e foi dedicada primeiramente a padroeira da cidade, Nossa Senhora do Rosário. Com a finalização das obras da Igreja Matriz, localizada na rua Ana Nery, a devoção a padroeira foi transferida a essa instituição e a Igreja D’Ajuda ficou abandonada.
Em 1820, a capela foi doada aos descendentes da família Adorno e reformada com a contribuição de comerciantes, pessoas da elite e senhores de engenho, instituindo devoção a Nossa Senhora D’Ajuda. Foi criada também a Irmandade D’Ajuda, mas não há registros, naquela época, da realização da festa como é nos dias atuais.
Segundo pesquisas do historiador Cacau Nascimento, as primeiras documentações das manifestações populares datam de 1872, onde começaram a se instituir comissões de organização de missa, procissão, festa, arrecadação de fundos, etc. “Cada noite da missa era dedicada a um grupo social. Nesse dia eles saíam em forma de ternos – como terno das mulheres, terceira idade, comerciantes – e desfilavam com sua fanfarra pela cidade”, disse.

Os “embalos” e “levagens” de meia noite

A lavagem D'Ajuda percorre as principais ruas da
cidade até chegar a capela. Foto: Laiana Matos


A participação popular da festa surgiu de forma inusitada. No mês de sua realização, segunda quinzena de novembro, aconteciam os preparativos. A capela era lavada por ex-escravos e/ou descendentes, que saíam à meia-noite com latas e baldes fazendo “batuques” para acordar os companheiros e buscar água nos riachos Caquende, Pitanga ou Três Riachos. Eles também eram responsáveis por distribuir de porta-em-porta lenha para a construção de fogueiras durantes os dias do festejo, já que na época ainda não existia iluminação pública. Durante o percurso essas pessoas que faziam a “levagem” da lenha entoando cantigas populares. Todas essas manifestações eram feitas na calada da noite, já que foi instituído no país no ano de 1905 a lei da “Belle Epoque”, que proibia qualquer tipo de manifestação abolicionista ou realizada por negros, como festas, candomblés e sambas-de-roda.
Foi no governo de Getúlio Vargas (1930) - com a destituição da lei - que o comerciante cachoeirano Urcesinio Santos buscou uma forma de motivar esses “levadores”. Organizou um grupo de músicos fanfarristas para acompanhar com melodias animadas essas pessoas e motivá-las a sempre buscar água nos riachos para lavagem do adro da igreja.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mais uma comemoração da festa da Boa Morte

Foto: Valdelice Santos
Missa de Assução de Nossa Senhora da Glória, celebrada
pelo cônego de Cachoeira, Hélio César Leal Vilas Boas

A festa da Irmandade da Boa Morte é realizada anualmente, entre os dias 13 e 17 de agosto na cidade de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, situada a 109 km de Salvador. É uma festa religiosa composta de missas, vigílias noturnas, procissões, ceias e samba de roda, repetida a mais de dois séculos. Esta festa atrai vários turistas da região, de outros estados e países, principalmente da África. Neste ano mais de cinco mil pessoas acompanharam os festejos da Irmandade.
A parte religiosa da festa da Boa Morte é representada em três dias, encenando a morte da Virgem Maria, sendo que as vestes das Irmãs são diferentes em cada dia de festa. No dia 13 ocorre a missa das irmãs falecidas, no dia 14 acontece a procissão da Boa Morte, e dia 15, a missa festiva da Assunção de Maria, que se finaliza num longo samba de roda. Nos últimos dias da festa,16 e 17, inicia-se a parte profana, em que são servidos cozido e caruru, acompanhados de samba-de-roda no Largo D'Ajuda . A Irmandade da Boa Morte é a única que possui representação negra no mundo. Ela foi oficializada como Patrimônio Imaterial da Bahia no dia 25 de junho deste ano, pelo governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), durante uma sessão especial na Câmara de Vereadores da cidade de Cachoeira.

domingo, 4 de julho de 2010

Comemorações ao 2 de Julho acontecem sob fortes chuvas

Sessão solene à data Magna da Bahia

O tradicional festejo comemorativo da data magna da Bahia, o 2 de Julho, comemorado em São Félix, contou com a presença de figuras ilustres da política, como os deputados estaduais Luiz Argolo e Nelson Leal, além da sociedade civil sanfelista e cachoeirana. A forte chuva que caiu na cidade não impediu que as pessoas se deslocassem de suas casas para prestigiar o evento.
A seção solene realizada na Câmara Municipal teve como oradora a sanfelista Loan Kizzi Araujo Reina, procuradora da Fazenda Nacional. Ela descreveu a história do 2 de Julho, evidenciando a magnitude desta data, porém disse é que pouco lembrada no Brasil. Destacou dentro do 2 de Julho, o papel da mulher nas lutas pela Independência da Bahia: Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa, ressaltando que esta pouco é lembrada, mas é tão importante como as outras. A indicação da oradora foi feita pelo edil Evaldo Batista (PT). “Eu não poderia deixar de indicar esta jovem de talento tão grande e que nos enche de orgulho a cada dia”, diz o edil.

Desfile cívico

Pelotão inicial do desfile

Após a sessão solene, deu-se início ao desfile cívico, tendo como temática “Conhecendo os heróis da Independência e valorizando os heróis do esporte”, com a participação de escolas municipais, fanfarras e bandas marciais da região, além de autoridades que acompanharam os carros do Caboclo e da Cabocla, figuras que simbolizam e homenageiam os que lutaram bravamente pela liberdade do Brasil.
Devido às fortes chuvas que vêm caindo na região durante a semana, o show pirotécnico não pode ser realizado, atração esperada por todos que foram ao evento. As fanfarras também tiveram problemas ao se apresentarem por causa do espaço que se encontrava alagado.
As comemorações ao 2 de Julho teve início ainda em 1821, motivada pelo sentimento federalista e emancipador de seu povo, e que terminou pela inserção na formação da unidade nacional brasileira, durante a Guerra da Independência do Brasil. Esta é uma data máxima para a Bahia e uma das mais importantes para a nação, já que, mesmo com a declaração de independente, em 1822, o Brasil ainda precisava se livrar das tropas portuguesas que persistiam em continuar em algumas províncias.


Caboclos

Símbolos do 2 de Julho


O Caboclo e a Cabocla são figuras simbólicas criadas para homenagear os batalhões e os heróis de 1823 que, pela bravura e coragem, lutaram pela liberdade do Brasil. A história conta que o povo resolveu fazer sua própria comemoração e, em 1826, levou uma escultura de um índio para representar as tropas, já que não poderia ser um homem branco, porque lembrava os portugueses, nem os negros que, na época, não eram valorizados. Vinte anos depois, a Cabocla foi incluída nas comemorações.
O Caboclo fica na cidade de Cachoeira e a Cabocla em São Félix, se encontram apenas nas festividades comemorativas da Independência da Bahia. No dia 24 de junho a Cabocla é levada pelas autoridades políticas e religiosas de São Félix até Cachoeira e retorna no dia 27, acompanhado do Caboclo, o qual é conduzido para Cachoeira após o desfile de 2 de Julho, acompanhado de autoridades desta cidade.

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